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Medicina 2.0 contra Medicina 3.0: alarme ou detector

Por Dr. Getúlio Amaral Filho··2 min
Medicina 2.0 contra Medicina 3.0: alarme ou detector

TL;DR

A medicina que tratou seu pai não é a medicina que vai te tratar. A diferença está em quando ela atua.

A diferença entre Medicina 2.0 e Medicina 3.0 é a diferença entre um alarme de incêndio e um detector de fumaça.

O alarme toca quando já está queimando. O detector toca quando a fumaça começa.

A Medicina 2.0 (a que aprendemos na faculdade, a que se pratica na maior parte dos consultórios brasileiros) é construída para ato dois. Tratar a doença instalada. Escolher o remédio certo, fazer a cirurgia certa, dar o tratamento certo no momento em que tudo já está acontecendo.

A Medicina 3.0 não substitui a 2.0. Ela acrescenta o ato um. Procura a fumaça antes da chama. Trabalha com biomarcadores que se movem cinco, dez, vinte anos antes do diagnóstico: insulina de jejum, ApoB, PCR ultrassensível, homocisteína, VO₂ máx, força de preensão. É exatamente esse ato um que nossa equipe na Plenya organiza pelo método AGIR (Atividade Física, Alimentação e Suplementação Inteligente · Gestão Clínica e Metabólica · Integração Mente-Corpo · Ritmo Circadiano e Repouso).

Quadro comparativo entre Medicina 2.0 (alarme; pergunta "qual o diagnóstico?", trabalha com sintoma e exame alterado, atua na doença instalada) e Medicina 3.0 (detector; pergunta "estou no caminho?", trabalha com ApoB, hsCRP, VO₂ máx, insulina jejum, força de preensão, homocisteína, atua na janela silenciosa). Adaptado de Attia P, Outlive 2023.
Quadro comparativo entre Medicina 2.0 (alarme; pergunta "qual o diagnóstico?", trabalha com sintoma e exame alterado, atua na doença instalada) e Medicina 3.0 (detector; pergunta "estou no caminho?", trabalha com ApoB, hsCRP, VO₂ máx, insulina jejum, força de preensão, homocisteína, atua na janela silenciosa). Adaptado de Attia P, Outlive 2023.

Cada um desses biomarcadores tem literatura sólida atrás. O ApoB, segundo a revisão de Sniderman e colegas em 2019 (JAMA Cardiology), prediz risco aterosclerótico melhor que LDL-C porque mede o número real de partículas aterogênicas, e começa a desviar antes do colesterol total se mexer. O VO₂ máx, no estudo de Mandsager (JAMA Netw Open 2018), é o marcador prognóstico de mortalidade total mais poderoso já estudado, mais forte que tabagismo. A American Heart Association (Ross 2016) defende que aptidão cardiorrespiratória deve ser tratada como sinal vital. O hs-CRP, na linha do CANTOS de Ridker (NEJM 2017), conecta inflamação subclínica a desfechos cardiovasculares duros.

Recebemos no consultório casos como o de Ricardo, 52 anos, que fazia check-up todo ano. Todos os exames "normais". Quase morreu de infarto num estacionamento. Nenhum dos seis marcadores que estavam fora do ótimo aparecia no painel convencional. O alarme só foi tocar quando o fogo já tinha começado.

A pergunta que nossa abordagem integrativa coloca não é "estou com doença?". É: "estou no caminho dela?".

Recorte do Capítulo 1 do livro ANTES — A Janela Silenciosa entre o Normal e o Ótimo.

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